domingo, 28 de outubro de 2012

A SAGA E AS DESVENTURAS DE UMA PESSOA QUE NÃO ESTÁ HABITUADA A CUIDAR SOZINHA DE UMA CASA NA AUSÊNCIA DOS PAIS.



Cuidar de uma casa parece, mas não é uma tarefa fácil...muita coisa pode acontecer e você pode não estar preparado físico, emocional e psicologicamente para isso.
Eu nunca fui muito boa com os afazeres domésticos...tá confesso...não gosto de nada relacionado a assuntos relacionados a serviços domésticos...agradeço todos os dias pela invenção da lavadora de roupas, pois é só jogar a roupa e o sabão dentro dela e voilá...está tudo resolvido.
E não é segredo para ninguém essa minha falta de intimidade com vassouras, rodos, panos de chão, detergentes e afins...eu REALMENTE não gosto, não tenho talento e não nasci para isso. Sei que muitos e muitas irão me criticar, pois serviços domésticos é quase uma obrigação...mas não adianta...eu acho que nasci no corpo errado...Deus deve ter trocado na hora e resolver me colocar em um corpo feminino...epa, mas pêra aí...não troquei de time não, gosto de homem e vou gostar até morrer, só não sou familiarizada com afazeres que desde os primórdios dos tempos é de competência feminina.
Desde pequena, ou melhor desde que me conheço por gente nunca gostei de nada relacionado a casa, sempre gostei de ficar mexendo com fios, consertando as coisas...no máximo gosto de cozinhar e modéstia  parte cozinho e muito bem.
Nunca gostei das coisas convencionais, enquanto minhas amiguinhas brincavam de boneca eu ficava desmontando e montando as coisas, no começo até achei que eu poderia ser diferente das outras meninas, mas o tempo me mostrou o contrário, eu só tinha opinião e vontade própria...enquanto elas assistiam desenhos dos Ursinhos Carinhosos eu esperava todas as tardes ansiosamente pelo Changeman...meu herói de infância...bons tempos...
E na adolescência foi a mesma coisa...eu continuei não gostando dessas coisas de menina...e assim é até hoje.
E podem perguntar para quem quiser, sempre fui a cabeça da criatividade, nunca a mulherzinha...a dona de casa...a esposinha...isso não combina nem um pouco comigo...não que eu não seja carinhosa, amorosa, boa mãe e companheira, nada disso...eu só não gosto de cuidar da casa no sentido bíblico da palavra.
Eu acredito que esse meu jeito de certa forma independente assunta um pouco as pessoas, principalmente aqueles do  sexo masculino...que estão acostumados desde cedo com a passividade da mulher, eu não sou assim e nem nunca vou ser...eu gosto de expor minha opinião, eu gosto de tomar cerveja, eu gosto de jogar baralho...eu gosto de fazer um monte de coisas que as mulheres geralmente tem medo de fazer. Admiro as mulheres que conseguem trabalhar, cuidar do marido, da casa, dos filhos e ainda trabalhar...eu faço tudo isso, menos cuidar do marido, que nem namorado eu tenho e cuidar da casa que não é minha praia.
Algumas mulheres nasceram com o dom de cuidar de uma casa que chega a ser algo incrível...e eu não sou uma delas....não sei se feliz ou infelizmente...enfim...cada pessoa nasce com um dom...e esse não foi o dom que Deus me deu...talvez ele no dia da minha concepção estivesse em um momento brincalhão e resolveu me fazer diferente das outras pessoas...vai saber...segredos que só vou conhecer depois de morrer...ou não...
Pois é...meus pais foram fazer um passeio de uns 20 dias pela Europa...e me deixaram tomando conta da casa...corajosos, não?
Tudo começou no primeiro dia que eles estavam fora de casa....
A lâmpada do meu quarto resolveu queimar....coisa simples, só trocar, né? Mas eu dirijo e não tenho carta e meu pai fica possesso se alguém sai com o carro dele...passamos eu e o João uma noite all Black..
No terceiro dia, percebi que o vaso sanitário não levava embora os dejetos ali depositados...chamei o pequeno de canto e perguntei:  - João....você jogou alguma coisa aqui???...ele revirou os olhos e disse:  - Mamãe...a lanterna caiu e eu puxei a descarga....
Respirei fundo...apliquei o sermão da montanha...e fui na oficina do meu pai buscar as ferramentas necessárias para retirar o vaso e claro aproveitei para no meio do caminho me preparar psicologicamente para o que poderia encontrar enroscado junto com a lanterninha....
Lá vou eu...tiro o vaso do chão e quase morro com o cheiro do cano...mas posso dizer..desentupi a mardita...até aí tudo ok...tudo começou a se complicar quando fui colocar o vaso no lugar....
Eu consegui estourar o cano da descarga....e vazou água pelo banheiro todo...e eu não consegui consertar...ficou vazando por vários dias...até o moço da manutenção vir em casa e arrumar tudo em 5 minutos.....só para colocar o vaso no lugar eu tinha demorado uma meia hora...
Depois de uns dias, meu filho queria que eu enchesse a piscina...lá vou eu...mangueira em mãos...quando fui tirar a mangueira que fornece água para as galinhas do meu pai....isso era umas 6:30 da manhã...horário de verão...e aqui no brejo esse horário é um frio glacial..seja no inverno ou no verão...a torneira sai na minha mão...e eu de pijama...levei um jato de água gelada (pareciam que estavam atirando cubos de gelo no meu rosto) bem no meio da minha cara....tentei tampar o buraco na parede de tudo que é jeito...mas não teve jeito...ligo pro meu primo pedindo socorro...hahahahahahahaha....contando não tem tanta graça...vocês teriam que ter visto a cena...

Logo comecei a pensar, que meu pai que não gosta que eu traga pessoas em casa quando ele não está aqui,  aliás, nem quando ele está..vamos falar a verdade....ele deve ter feito alguma mandiga ou coisa assim...pois o único dia que vieram pessoas em casa, meu amigo sentou em uma cadeira de ferro e ela quebrou...
Juro que a partir deste momento fiquei até com medo de apertar o botão do interruptor e acender a luz...vai que nesse explode a fiação da casa toda....sai fora!!
Sei que meus pais chegam na terça feira...e eu estou esperando ansiosamente por esse dia...melhor que quebre na mão deles do que na minha....porque por mais que eu já tenha 34 anos...não tenho um pingo de experiência para levar uma casa nas costas...seja na faxina..seja na manutenção...
Portanto...o próximo curso que irei fazer será o de MANUTENÇÃO BÁSICA, porque assim na próxima estarei bem mais preparada para as desventuras em série que possam acontecer.
E agora dá licença...que preciso arrumar a casa, pois está uma zona e eu fiquei protelando esse martírio até o último minuto....
Só para constar...até o presente momento, pela graça de Deus e pelo meu bom senso de não mexer em nada está tudo certo na residência dos Duarte...até o almoço de domingo já está pronto.

E tenho dito!

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Tortura Moderna...

“Tenta sim. Vai ficar lindo.”
Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.
- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
- Vai depilar o quê?
- Virilha.
- Normal ou cavada?
Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.
- Cavada mesmo.
- Amanhã, às… deixa eu ver…13h?
- Ok. Marcado.
Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.

- Querida, pode deitar.
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca. Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.
- Quer bem cavada?
- …é… é, isso.
Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.
- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.
- Ah, sim, claro.
Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei. De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).
- Pode abrir as pernas.
- Assim?
- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.
- Arreganhada, né?
Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.
Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural. Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.
- Tudo ótimo. E você?
Ela riu de novo como quem pensa “que garota estranha”. Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes.
O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.
- Quer que tire dos lábios?
- Não, eu quero só virilha, bigode não.
- Não, querida, os lábios dela aqui ó.
Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.
- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.
Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.
- Olha, tá ficando linda essa depilação.
- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.
Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. “Me leva daqui, Deus, me teletransporta”. Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.
- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.
Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
- Vamos ficar de lado agora?
- Hein?
- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.
Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.
- Segura sua bunda aqui?
- Hein?
- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.
Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:
- Tudo bem, Pê?
- Sim… sonhei de novo com o cu de uma cliente.
Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu tuin peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cus por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.
- Vira agora do outro lado.
Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.
- Penélope, empresta um chumaço de algodão?
Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem? Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.
- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
- Máquina de quê?!
- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
- Dói?
- Dói nada.
- Tá, passa essa merda…
- Baixa a calcinha, por favor.
Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.
- Prontinha. Posso passar um talco?
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
- Tá linda! Pode namorar muito agora.
Namorar…namorar… eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada. Queria comprar o domínio preserveasbucetaspeludas.com.br. Queria tudo.
Menos namorar.

TODAS AS DIREÇÕES VÃO PARA UM MESMO LUGAR

Muitas vezes na vida, chegamos em encruzilhadas...escolhemos o melhor caminho e partimos adiante.

Você anda...anda...caminha...corre...e chega no mesmo ponto novamente...
Escolhe outro caminho...começa tudo novamente...e??? Chega no mesmo lugar outra vez...e assim sucessivamente...
Pode parecer meio complicado o que eu estou tentando escrever aqui, mas é o que me acontece....o mundo dá suas volta e eu sempre esbarro no mesmo lugar...DESTINO? Eu não sei...você pára...se questiona....não consegue saber se é um recado de Deus....porque vamos combinar...a terceira vez que tudo acontece novamente....ou só pode ser brincadeira ou é para acontecer mesmo.
Deus...me desculpa...mas o que o senhor está querendo me mostrar é isso mesmo que eu estou achando?? Porque tá difícil de entender....ou já era prá eu ter entendido da outra vez...mas não prestei muita atenção?
Vamos esperar para ver o que acontece dessa vez....talvez aconteça o mundo todo...ou então não aconteça nada.

Então...fica essa prá você.